domingo, 21 de outubro de 2012

SIMBOLISMO


                                                              SIMBOLISMO

No final do século XIX o mundo passava por uma grande mudança econômica e politica, havia uma grande desordem social e, o Simbolismo surgiu em meio à divisão entre as classes burguesa e proletária. O pioneiro do Simbolismo é o francês Charles Baudelaire, com a publicação de “As Flores do Mal”, em 1857.            
Os simbolistas adotavam uma visão pessoal e individualista da realidade, sem se limitar muito aos princípios estéticos então vigentes. Isto lhes valeu o pejorativo apelido de “decadentistas”. Em 1886 com a publicação de um importante manifesto – ‘O Século XX’, do teórico deste movimento, Jean Moréas – deu ao movimento seu nome definitivo – simbolismo.
O Simbolismo é a estética literária do final do século XIX, em contraposição ao Realismo e o Naturalismo e exatamente por vim nesse período não é considerado uma escola literária, pois nesse momento havia três manifestações literárias em confronto: o Realismo, Simbolismo e o Pré-Modernismo.

As principais características do Simbolismo são:

·         Misticismo e espiritualismo: A fuga da realidade leva o poeta simbolista a uma viagem ao mundo invisível e impalpável, o uso de vocabulário litúrgico (antífona, missal, ladainha, hinos, breviários).
·         Falta de clareza: os poetas achavam que era mais importante sugerir elementos da realidade, sem delineá-los totalmente.
·         Subjetivismo: a valorização do “eu” e da “irrealidade”, negada pelos parnasianos, volta a ter importância.
·         Musicalidade: para valorizar os aspectos sonoros das palavras, os poetas não se contentam apenas com a rima.
·         Sinestesia: os poetas, tentando ir além dos significados usuais das palavras, terminam atribuindo qualidade às sensações. As construções parecem absurdas e só ganham sentido dentro de um contexto poético. Vejamos algumas construções sinestésicas: som vermelho, dor amarela, doçura quente, silêncio côncavo.
·         Cor branca: principalmente Cruz e Sousa tinha preferência por brancuras e transparências.         
·         Os principais artistas simbolistas foram: Charles Baudelaire, Arthur Rimbaud, Stéphane Mallarmé, Paul Verlaine, Cruz e Souza, Alphonsus de Guimaraens e Eugênio de Castro.
Simbolismo no Brasil
O Simbolismo chegou ao Brasil em 1893, com a publicação das obras Missal (prosa) e Broquéis (poesia), ambas de autoria de Cruz e Sousa, que é considerado o maior autor simbolista. Além de Cruz e Sousa, destacam-se Alphonsus de Guimaraens e Pedro Kilkerr. Como pelo resto do mundo, o Brasil também passava por algumas mudanças sociais quando o Simbolismo surgiu, além de guerras civis o pais enfrentava a Revolução Federalista e a Revolta da Armada. Findou com a chegada do movimento modernista.
João da Cruz e Sousa


Nascido em 1861, o poeta de alma palpitante e que tinha coragem para dizer ás pessoas que é preciso não somente ter coragem e garra, mas também asas.  
Descendente de negros, Cruz e Sousa lutava e escrevia sobre as lutas de sua época, principalmente a escravidão.
Mestre do Simbolismo no Brasil e celebrado só depois de morto, o Poeta de Desterro foi um homem apaixonado, autor de versos que ganharam o mundo.
O pensamento deste trabalhador que ganhava pouco se baseava em conceitos de filosofia da arte, estética e poesia. Abrangendo também a meditação sobre si mesmo até como uma inspiração para suas obras.
Morreu tuberculoso em Minas Gerais, em 19 de março de 1898, e foi enterrado no Rio de Janeiro para onde se mudou definitivamente em 1890.
Escreveu diversos poemas, cerca de 100 ou mais, e o que o grupo mais gostou para complementar sobre esse poeta é o “Feliz”.

Feliz
Ser de beleza, de melancolia,
Espírito de graça e de quebranto,
Deus te bendiga o doloroso pranto,
Enxugue as tuas lágrimas um dia.
Se a tu'alma é d'estrela e d'harmonia,
Se o que vem dela tem divino encanto,
Deus a proteja no sagrado manto,
No céu, que é o vale azul da Nostalgia.
Deus a proteja na felicidade
Do sonho, do mistério, da saudade,
De cânticos, de aroma e luz ardente.
E sê feliz e sê feliz subindo,
Subindo, a Perfeição na alma sentindo
Florir e alvorecer libertamente!



Feliz! – Cruz e Sousa

Em seu poema Cruz e Sousa abordam características típicas do Simbolismo e que podem ser claramente identificadas nos versos de seus poemas. Algumas das principais características nós buscamos destacar de maneira bem objetiva.
·         Quanto a forma estética do poema - Emprego de letras maiúsculas no verso: Esta característica pode ser percebida nos versos do poema de maneira bem clara, e é uma das características vistas no Simbolismo. Os poetas tentam destacar palavras grafando-as com letra maiúscula.
·         Falta de clareza: Os poetas achavam que era mais importante sugerir elementos da realidade, sem delineá-los totalmente. A palavra é empregada para ter valor sonoro, não importando muito o significado. Conseguimos identificar esta característica quando passamos a analisar os versos, e esta característica é típica do Simbolismo também para manter uma bela estética do poema.
·         Subjetivismo – O Subjetivismo visto no Romantismo e negado no Parnasianismo, com o Simbolismo, volta a ter muita importância. Passa ser valorizado o “eu” e o mundo “irreal” e vemos isto com o poema Feliz, onde o autor destaca um mundo irreal e que visa somente a ele mesmo.
·         Misticismo, religiosidade: Percebemos claramente a presença desta característica, a partir da observação dos versos. Vimos que nos versos há predominância de religiosidade, por várias vezes há pedidos a Deus, pedidos de intercessão, agradecimentos, de proteção, etc.
·         Retomada de elementos da tradição romântica: Há uma leve semelhança, na estética do poema, com o Romantismo, onde contém características que lembram o Romantismo, mas que são típicos do Simbolismo.

Estas são algumas das várias características que podem ser destacadas no poema.
Analisando um pouco este poema de Cruz e Sousa, conseguimos identificar, além das características do Simbolismo, características que são próprias do autor, e que são um marco de suas obras. Seus poemas são marcados pela musicalidade, pelo subjetivismo e às vezes pelo apaziguamento.
No poema percebemos que a permanentemente um pedido de proteção à vida, talvez por simples inspiração aos escrever a obra, ou talvez, por contexto histórico, uma forma de oração para que Deus os protejam de coisas presentes no dia a dia daquela época. Ele pede para que Deus proteja nos momentos de felicidade para que nem o mistério, nem a saudade, nem sonhos o tirem a felicidade e a liberdade que ele está a gozar. Pois penso eu, que conquistar a felicidade seja tão difícil, mas perde-la é de longe tão fácil, como um piscar de olhos, ao percebermos a felicidade se vai. E é então por isso que ele pede proteção a Deus, e de tudo ele não está errado, ao declarar isto em sua obra.

Em outra parte do poema, Cruz e Sousa afirma que ser feliz nos traz uma perfeição a alma, uma liberdade imensa. Bem, talvez seja este o motivo de tanta infelicidade hoje em dia, poucos a conseguem desfrutar, buscam e não a encontram, e quando a encontram, depois de muito custo, estão a mercê de perdê-la a qualquer momento. Talvez então, seja este o grande motivo de, no poema, haver pedidos de proteção à felicidade, para que não seja roubada. E de tudo, ele está completamente certo.



Grupo: Bianca Aparecida, Juliany Santos, Karina Nascimento, Letícia Velasco e Mariana Souza.
Fonte: www.portalsaofrancisco.com.br, www.suapesquisa.com.br.

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